Secretário de Segurança de Barra do Corda é afastado após áudios com ameaças a eleitores do PT
James Mota da Silva, secretário municipal de Segurança, chamou petistas de inimigos da polícia e defendeu prisões para intimidar eleitores. Governador determinou investigação, e Prefeitura oficializou afastamento até o fim das eleições.
SÃO LUÍS – O secretário municipal de Segurança de Barra do Corda, Antonio James Mota da Silva, foi afastado do cargo após a divulgação de áudios em que ameaça eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT) e incentiva policiais a prender apoiadores da legenda.
A decisão foi oficializada pela Prefeitura na quinta-feira (22), após a repercussão das gravações. O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), também determinou a investigação das declarações do militar, que é sargento da Polícia Militar e estava cedido ao município.
O caso ocorre às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25), quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) disputarão a Presidência da República.
O que o então secretário disse no áudio
Nas gravações divulgadas nesta quinta-feira (22), James Mota chama eleitores petistas de inimigos da polícia e da sociedade e utiliza expressões ofensivas ao defender ações contra apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Quem é PT é inimigo da polícia, é inimigo da sociedade. Bora para cima, bora prender, bora mandar pra caixa [sic] do caralho”, afirma em um dos trechos.
O sargento também relata ter abordado pessoas que distribuíam material de campanha de Lula durante o primeiro turno, nas proximidades de escolas do município.
“No primeiro turno tinha uns petistas dando santinho do Lula lá na frente do Dom Marcelino, na frente de outras escolas. E eu fui para cima de alguns. Bora ficar só dentro de casa também, não. Só reclamando, só colocando culpa aí em Alexandre de Moraes e em Lula. Bora para cima, meu filho”, declarou.
Em outra parte das gravações, o militar afirma que a prisão de apoiadores do PT poderia intimidar outros eleitores.
“Bora botar esses petistas no lugar deles. Bora prender. O primeiro que nós prender na cidade ou no povoado, sai a história, eles vão ficar com medo. Bora botar para prender. E tem a forma de prender legalmente. Bora prender quem tiver que prender. Esses vagabundo [sic]”, diz.
James Mota também associa eleitores do partido à criminalidade. “Quem for PT é ladrão também, tá? Não é ladrão, mas tá a favor do ladrão”, afirma.
Ao final de uma das mensagens, ele ainda menciona a atuação da Guarda Municipal: “Arrocha a Guarda aí para caçar esses vagabundos aí que tá comprando voto aí. Manda prender”, disse.
Prefeitura oficializa afastamento do secretário
O prefeito de Barra do Corda, Rigo Alberto Teles de Sousa (MDB), formalizou o afastamento de James Mota por meio da Portaria nº 398/2026-GAB, assinada em 22 de outubro.
O documento determina que o secretário seja afastado do exercício de suas atribuições a partir de quinta-feira (22), permanecendo nessa condição até o encerramento do pleito eleitoral.
A portaria considera a repercussão dos áudios atribuídos ao titular da Secretaria Municipal de Segurança, envolvendo questões relacionadas ao processo eleitoral.
Durante o afastamento, a administração municipal deverá adotar as providências necessárias para garantir a continuidade dos serviços públicos e o funcionamento da pasta.
Em nota oficial, a Prefeitura de Barra do Corda repudiou qualquer manifestação contrária à democracia e afirmou que trabalha para assegurar o livre exercício do voto no município.
Confira a nota na íntegra
A Prefeitura Municipal de Barra do Corda, diante da repercussão da divulgação de áudios atribuídos ao Secretário Municipal de Segurança, vem a público esclarecer:
A Prefeitura Municipal e o Prefeito Rigo Teles reprovam qualquer manifestação ou ação contrária à democracia, ao livre exercício do voto e à normalidade do processo eleitoral.
A Administração Municipal está empenhando todos os esforços para colaborar com a Justiça Eleitoral, com o objetivo de assegurar a todos os cidadãos barracordenses o direito constitucional ao voto, livre e seguro.
Como medida imediata, o Prefeito determinou o afastamento do Secretário Municipal de Segurança até o final do pleito eleitoral.
A Prefeitura reafirma que todos os eleitores, independentemente do candidato de sua preferência, podem sair de casa com total tranquilidade para votar. O voto é livre, secreto e deve ser respeitado.
O afastamento determinado pela administração municipal é temporário e não representa exoneração definitiva do cargo.
Brandão determina investigação e condena intimidação eleitoral
Após a divulgação das gravações, o governador Carlos Brandão anunciou providências relacionadas à conduta do militar, que integra a Polícia Militar do Maranhão e estava cedido à Prefeitura de Barra do Corda.
“Determinei o afastamento do sargento James Mota da Silva (cedido à Prefeitura de Barra do Corda, onde atua como secretário municipal de Segurança) e a investigação sobre suas graves declarações”, informou o governador.
Brandão também condenou qualquer tentativa de interferência na liberdade de voto e destacou que a atuação das forças de segurança deve respeitar a legislação eleitoral.
“Qualquer tentativa de intimidar eleitores ou interferir na liberdade do voto é inaceitável e atenta contra a democracia e as liberdades individuais. Essa posição independe de ideologia política e vale para todos, de QUALQUER LADO”, declarou.
O governador ressaltou ainda que a fiscalização nos locais de votação deve ser realizada com responsabilidade pelas forças de segurança e pela Justiça Eleitoral.
Caso é levado ao Ministério Público Eleitoral
A divulgação dos áudios também provocou reação do vice-governador Felipe Camarão (PT), que cobrou providências das autoridades.
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral, solicitando a investigação das declarações atribuídas ao secretário.
A representação pede a apuração de possíveis práticas de intimidação de eleitores, ameaças e utilização da estrutura de segurança pública para interferir no processo eleitoral.
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