A PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestou nesta sexta-feira (29) contra a necessidade de manter policiais dentro da casa de Jair Bolsonaro (PL), como havia pedido a Polícia Federal.
O entendimento da PGR foi encaminhado ao STF (Supremo Tribunal Federal), que julga Bolsonaro pela trama golpista. O ministro do STF Alexandre de Moraes, relator da ação, deve proferir decisão sobre o tema.
"Observo que não se aponta situação crítica de segurança no interior da casa", afirma o documento assinado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O procurador-geral escreve, no entanto, que a preocupação da PF de que Bolsonaro fuja tem base de sustentação.
"As investigações levaram à descoberta de uma minuta de pedido de asilo dirigida ao Presidente da Argentina", afirma. "É sabido, igualmente, que o ex-presidente já demonstrou proximidade com dirigentes de países estrangeiros, tendo acesso facilitado a embaixadas, como se viu, com relação à da Hungria, em outra oportunidade".
A Polícia Federal descobriu que Bolsonaro tinha em seu celular uma minuta de pedido de asilo político para o presidente da Argentina, Javier Milei. O documento foi criado em 10 de fevereiro de 2024, dois dias após Bolsonaro ser alvo de buscas na maior operação sobre a trama golpista. Dois dias após a produção da minuta, o ex-presidente foi à Embaixada da Hungria.
Ainda é citado por Gonet que Bolsonaro "possui familiar e apoiadores que vivem no exterior, onde difundiram que o ex-presidente se submete a processo penal a que recusam legitimidade", ressaltando que eles têm recorrido a "pressões inqualificáveis para que o processo seja sumariamente extinto".
O filho do ex-presidente e deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) está nos Estados Unidos, e tem atuado junto a autoridades do governo Donald Trump por medidas em defesa do pai. O ex-comentarista Paulo Figueiredo, também nos Estados Unidos, participa dessa mobilização.
Trump já anunciou ampliação de tarifas ao Brasil, quando citou uma suposta perseguição a Bolsonaro, e sancionou Moraes.
Eduardo foi indiciado pela Polícia Federal por tentativa de coagir os processos no STF, que tem processo sobre a postura dele.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, havia sugerido na terça-feira (26) a Moraes a entrada de uma equipe de policiais dentro da casa do ex-presidente para vigilância 24 horas.
O chefe da PF argumentou em ofício enviado ao STF que essa seria a melhor forma de garantir que Bolsonaro não tentaria fugir às vésperas de seu julgamento pela trama golpista, marcado para começar na próxima terça, dia 2 de setembro.