Mike Pence diz que não invocará 25ª Emenda para remover Donald Trump
12/01/2021 23:04 em NOTÍCIA

O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, afirmou em carta enviada à presidente da Câmara, Nancy Pelosi, que não invocará a 25ª Emenda para remover o presidente Donald Trump do cargo, após a invasão de apoiadores do republicano ao Capitólio, na semana passada. Ao menos cinco pessoas morreram.

 

"Não acredito que tal curso de ação seja do melhor interesse de nossa Nação ou consistente com a nossa Constituição", ressaltou Pence, na carta. (Leia a carta, na íntegra, em inglês, abaixo)A 25ª Emenda permite que o vice assuma a liderança do país quando o presidente estiver impossibilitado de continuar suas funções — por exemplo, se ficar incapacitado devido a uma doença física ou mental. Os democratas veem Donald Trump como "desequilibrado" e perigoso, principalmente depois de ele ter incentivado seus apoiadores a invadir o Capitólio na quarta-feira passada (6).

 

"Em meio a uma pandemia global, dificuldades econômicas para milhões de americanos e os trágicos eventos de 6 de janeiro, agora é a hora de nos unirmos, agora é a hora de nos curarmos", prosseguiu Pence. "Peço a você e a todos os membros do Congresso que evitem ações que possam dividir e inflamar ainda mais", concluiu.Mais cedo, Trump já havia afirmado que discussões em torno da 25ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos representariam "risco zero" a ele.

"A 25ª Emenda representa risco zero para mim", resumiu Trump em Álamo, no Texas, durante cerimônia de inauguração de trecho do muro construído na fronteira dos Estados Unidos com México.

 

A posse do democrata Joe Biden, que venceu Trump nas eleições em novembro, ocorre no próximo dia 20 de janeiro.

 

 

Presidente é acusado de incitar invasão ao Congresso

Na semana passada Trump tentou convencer a maioria do Congresso a se recusar a certificar parte dos votos conquistados pelo democrata Joe Biden nas eleições de 2020 por meio de postagens no Twitter. O presidente pressionou seu vice, Mike Pence, que presidiu a sessão, a não certificar a vitória rival. Em resposta, Pence declarou não ter poder para invalidar os resultados da urna.

 

Após Trump discursar a apoiadores afirmando, sem provas, que as eleições foram fraudadas, o Capitólio — prédio onde fica o Congresso americano — foi invadido por um grupo que interrompeu a sessão de certificação de Biden. O vice-presidente e parlamentares que estavam no edifício foram retirados às pressas por seguranças e muitos tiveram de se esconder atrás de móveis. Cinco pessoas morreram.

 

A plataforma também foi usada pelo presidente para se dirigir a seus apoiadores e divulgar imagens das manifestações. Durante os atos, Trump pediu, no Twitter, que os manifestantes não atacassem a polícia e que retornassem às suas casas. No entanto, em vez de criticá-los, ele disse "entender a dor" dos apoiadores, chamando-os de "especiais".

 

Trump, seu filho Donald Trump Jr, e seu advogado Rudy Giuliani — ex-prefeito de Nova York — podem ser investigados por incitarem a invasão ao Capitólio. Em entrevista à emissora ABC, na manhã de hoje, o procurador-geral de Washington DC, Karl Racine, afirmou que o trio ajudou a disseminar a ideia de "justiça combativa" nos manifestantes.

 

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