Ouvir rádio

Pausar rádio

Offline
RADIO
NO VENENO - Milei fica isolado na América do Sul ao não reconhecer vitória de Lula
Enquanto os demais presidentes sul-americanos cumprimentaram o brasileiro, o líder argentino mantém silêncio após apoiar Flávio Bolsonaro
Por CIDADE FM 91,1 Mhz - GRAJAÚ MA
Publicado em 27/10/2026 06:49 • Atualizado 27/10/2026 06:51
NOTÍCIA

 O presidente da Argentina, Javier Milei, é o único chefe de Estado da América do Sul que ainda não reconheceu a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os demais líderes da região cumprimentaram o brasileiro pela reeleição, incluindo governantes de direita que apoiaram a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

 

Reportagem do g1 destaca que o silêncio de Milei contrasta com manifestações de presidentes que, apesar das divergências políticas com Lula, defenderam a continuidade da cooperação com o Brasil. O argentino apoiou Flávio Bolsonaro durante a campanha e voltou a atacar o presidente brasileiro nas redes sociais às vésperas da votação.

A ausência de uma manifestação ocorre em uma relação bilateral marcada pela integração econômica. Brasil e Argentina mantêm cadeias industriais conectadas e têm participação central no Mercosul. Dados do governo argentino citados pela reportagem mostram que, em 2025, o mercado brasileiro foi o principal destino das exportações argentinas e a maior origem dos produtos importados pelo país.

Entre os líderes que reconheceram o resultado está o presidente da Colômbia, Abelardo de La Espriella. Eleito com apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e apoiador público de Flávio Bolsonaro, o colombiano ressaltou suas diferenças políticas com Lula, mas sinalizou disposição para manter a cooperação entre os países.

O presidente do Equador, Daniel Noboa, destacou, em sua mensagem de felicitação, que os países latino-americanos enfrentam inimigos comuns e desafios compartilhados. Já o presidente do Chile, José Antonio Kast, informou ter telefonado para cumprimentar Lula e ressaltou a perspectiva de um futuro comum entre as duas nações.

A presidente do Peru, Keiko Fujimori, defendeu o fortalecimento da parceria estratégica com o Brasil. Sua manifestação enfatizou a integração bilateral, a cooperação e o desenvolvimento sustentável da região amazônica compartilhada pelos dois países.

Na Bolívia, o presidente Rodrigo Paz parabenizou Lula e destacou os vínculos históricos entre brasileiros e bolivianos.

De acordo com o g1, esses cinco governantes receberam apoio de Trump em suas campanhas e integram o Escudo das Américas. A aliança, liderada pelos Estados Unidos, reúne iniciativas de cooperação militar, política e econômica voltadas ao enfrentamento de organizações criminosas transnacionais e do narcotráfico.

Também felicitaram Lula os presidentes do Uruguai, Yamandú Orsi; da Venezuela, Delcy Rodríguez; do Paraguai, Santiago Peña; da Guiana, Irfaan Ali; e do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons.

Apoio a Flávio Bilsonaro e ataques durante a campanha

A postura de Milei após a eleição sucede uma série de manifestações contra Lula. Pouco antes da votação, o argentino chamou o brasileiro de “ladrão corrupto” e o acusou de conduzir uma campanha suja.

Em agosto, Milei participou da convenção nacional do PL, em São Paulo, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. No evento, chamou Lula de “presidiário” e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de “lixo careca”.

O argentino também acusou Lula de enviar profissionais de marketing político para atuar na campanha de Sergio Massa, seu adversário derrotado na eleição presidencial argentina de 2023.

“Eles tiveram um papel muito ativo na campanha de 2023. Ou vamos esquecer que os assessores de Massa eram um grupo de brasileiros? Eu quis ver o meu amigo Jair Bolsonaro e não me deixaram. Aqui, no entanto, o ex-presidiário (Lula) veio cumprimentar a ré (ex-presidente Cristina Kirchner)”, afirmou.

Na mesma semana, em entrevista à emissora argentina LN+, Milei rejeitou a avaliação de que suas declarações fossem agressivas.

“Agressivo é que alguém roube. É muito mais leve chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar”, declarou. Na ocasião, classificou as ofensas como “palavras espontâneas”.

Governo brasileiro reagiu aos ataques

O governo brasileiro classificou o episódio como “sem precedentes”. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, considerou o caso grave, mas descartou, naquele momento, medidas como a retirada definitiva de representantes diplomáticos.

Lula inicialmente evitou prolongar a troca de ataques. Questionado por jornalistas sobre Milei, respondeu: “Quem é esse cara?”.

Ao comentar sua postura diante do presidente argentino, o brasileiro afirmou: “Eu não falei nada, porque a minha relação é uma relação de chefe de Estado com o Estado. (…) Eu gosto do povo argentino e não vou ficar trocando coisa com aquela coisa.”

 

 

 

 
 
Comentários
Comentário enviado com sucesso!

Chat Online