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Nossa Senhora Aparecida e fala de Lula sobre 'toque' em mulheres perdem para MP das Bets em alcance digital
Vazamento de mensagens de ex-sócio de Flávio também tem menor engajamento que proibição de apostas esportivas Discussões nas redes sociais mobilizaram campanhas dos candidatos mais competitivos ao Palácio do Planalto
Por CIDADE FM 91,1 Mhz - GRAJAÚ MA
Publicado em 01/10/2026 09:26
NOTÍCIA
São Paulo

A última semana foi marcada por discussões nas redes sociais que mobilizaram as campanhas do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Palácio do Planalto.

Entre esta quarta-feira (30) e a passada (23), o debate foi tomado pela proibição de bets e apostas esportivas, a notícia falsa relacionada à Nossa Senhora Aparecida, o vazamento de mensagens do ex-sócio de Flávio e uma frase de Lula sobre exames ginecológicos tirada de contexto.

A análise da Palver, empresa que monitora o debate público e a circulação de narrativas em tempo real em redes sociais, aplicativos de mensagens e fontes de notícias, é que a MP (Medida Provisória) que proibiu as bets continua tendo um engajamento maior do que todas as demais discussões que a sucederam.

O pico, segundo a Palver, foi de 4.000 menções a cada 100 mil postagens nas redes sociais; em aplicativos de mensagens, de 875 menções a cada 100 mil. Ambos ocorreram no sábado (26), dia seguinte à assinatura da MP pelo presidente Lula e em meio à forte crítica de times de futebol e associações do setor.

 

A incidência começou a cair a partir de domingo (27), mas, até esta quarta, o volume ainda estava de três a quatro vezes acima do patamar anterior ao anúncio.

 

 

Já o pico de menções à Nossa Senhora Aparecida ocorreu na terça-feira (29), na esteira do vaivém do caso no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O volume nas redes sociais foi de 3.000 menções a cada 100 mil postagens. Em aplicativos de mensagem, o pico foi na véspera, de 203 a cada 100 mil. A Palver destaca que a discussão ainda está em trajetória ascendente —a cada nova decisão judicial, há um novo aumento nas menções.

 

Os casos seguintes —de vazamento de mensagens de Alexandre Santini, ex-sócio de Flávio, e da frase de Lula sobre mulheres aprenderem "a tomar toque" desde pequenas, tirada de contexto— ainda são incipientes quando comparados aos dois primeiros.

O material guardado por Santini, sobre a presença do senador em festas com garotas de programa, um Rolex de R$ 305 mil e suposto lobby junto ao ministro Kassio Nunes Marques, foi divulgado na terça-feira (29). O pico das menções até aqui foi de 587 por 100 mil postagens nas redes e 156 por 100 mil em aplicativos de mensagem, ambos no mesmo dia da publicação do portal PlatôBR.

Já a frase de Lula ocorreu na noite de domingo, em comício em Belém (PA). O presidente fez referência à resistência dos homens ao exame de toque para prevenção do câncer de próstata e disse que as mulheres, em comparação, "aprendem a tomar toque desde pequena". A campanha adversária, encabeçada por Flávio e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), fez postagens nas redes que associam a fala à pedofilia.

O trecho viralizou a partir da madrugada de terça, quando atingiu o pico de menções em aplicativos de mensagens: 57 a cada 100 mil. Nas redes sociais, o ápice foi de 336 menções por 100 mil postagens nesta quarta. A campanha de Lula acionou o TSE pela remoção das postagens, e o tribunal deu 24 horas para Nikolas apagar o vídeo que impulsionou a desinformação.

"Apesar de já ter caído bastante em relação ao pico, o tema das bets segue bastante relevante e ainda bem superior aos demais tópicos da semana, e, na sequência, vem o tema de Nossa Senhora Aparecida. Ele tem sido bem explorado nas redes sociais, principalmente pela esquerda, que tenta manter esse tema ativo, e pelas decisões do TSE, que colocam o tema no noticiário", diz Luis Fakhouri, cofundador da Palver.

Fakhouri afirma que, no caso do vídeo de Lula em Belém, a percepção da equipe de inteligência da Palver é de que há uma atividade organizada pela direita política para criticar o presidente nas redes sociais, deixando aplicativos de mensagem em segundo plano.

 

"As redes têm aquela coisa do olhar rápido. Você olha aquela análise, comenta e compartilha, gerando mais engajamento. Quando o tópico é trazido em aplicativos de mensagem, a tese de pedofilia não para em pé, porque o ambiente suscita debate e a argumentação é frágil, está em um vídeo cortado, editado. Para direita, é interessante manter essa estratégia de tentar colar a pecha de pedofilia no presidente, mas, por enquanto, o que temos é que o vazamento do ex-sócio de Flávio ainda tem mais alcance."

O engajamento sobre o material vazado de Santini tem sido protagonizado pela esquerda, afirma ele, já que a direita "escolheu não participar deste tema, nem para defender Flávio".

A estratégia passa pela mesma postura adotada pelo próprio senador e pela equipe de campanha, que têm optado pelo silêncio em relação às mensagens relatadas pelo portal PlatôBR.

O resultado é que, pela ausência da direita no debate, o posicionamento da opinião digital é quase que inteiramente crítico a Flávio. Nas redes, 95% das menções são negativas sobre o candidato; em aplicativos de mensagem, 96%. "Esse cenário pode refletir tanto constrangimento quanto silêncio estratégico da base bolsonarista", diz a Palver.

No caso da fala de Lula sobre "toque", o posicionamento também é majoritariamente crítico ao presidente: 78% das menções nas redes são negativas, e 22% defendem o petista. Nos aplicativos de mensagem, a proporção é de 74% e 26%, respectivamente.

O dado aponta que o desmentido tem menos alcance que as críticas ao presidente que associam a fala à acusação de normalização de pedofilia. Segundo a Palver, os atores que ganham espaço com a discussão são Flávio e Nikolas, "que participaram da construção do enquadramento crítico", e os que estão mais expostos às críticas são Lula e Janja, "cuja reação com palavrões gerou novas publicações e prolongou a circulação do episódio".

Lula chamou Nikolas de canalha, e Janja subiu o tom e chegou a chamar o parlamentar de "piá de bosta".

Em relação à proibição das bets, o posicionamento é majoritariamente negativo. Desconsiderando as mensagens neutras, 57% das postagens nas redes sociais são críticas à medida, contra 43% em apoio; nos aplicativos de mensagem, a proporção é de 68% para 32%, respectivamente.

O cenário coloca Flávio e candidatos da oposição como atores que ganham espaço na opinião digital, por explorarem "a diferença entre a regulamentação de 2023 e a proibição de 2026", diz a Palver. Lula e o governo federal estão mais expostos às críticas, "diante das acusações de oportunismo e do conflito com clubes e torcedores".

"Parte das críticas está relacionada ao momento e à forma da decisão, tomada por MP às vésperas da eleição, e não necessariamente à defesa das bets", afirma a empresa de inteligência de dados.

 

No que tange à informação falsa que diz que Flávio Bolsonaro apoiaria um projeto para tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, o posicionamento digital é majoritariamente crítico ao político do PL: 63% das postagens nas redes sociais criticam o candidato, e 37% o defendem; nos aplicativos de mensagem, 54% e 46%, respectivamente.

Lula e PT foram os atores mais beneficiados pelo debate, afirma a Palver. A pesquisa Quaest do dia 28 de setembro apontou que o atual presidente avançou entre católicos e evangélicos após a polêmica. Entre os atores prejudicados estão Flávio, principal alvo das críticas, GloboNews e Judiciário, relacionados à retratação sobre o caso e à sequência de decisões judiciais contraditórias.

 
 

 

 

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