PESQUISA AFERE MOVIMENTOS POLÍTICOS
Nesta disputa, afinal, cada ponto percentual será decisivo. Esta pesquisa captou, ressalvando seu caráter de fotografia e não de predição, os principais movimentos políticos da semana: o arrefecimento relativo da crise no Supremo Tribunal Federal, o anúncio de reajuste de 15% no Bolsa Família e o tema da ingerência externa na campanha.
No primeiro item, a interrupção da discussão em torno de Alexandre de Moraes e o Banco Master na corte deu lugar à volta de vazamentos desfavoráveis de forma alternada ao petismo e ao bolsonarismo, mas a associação feita entre o ministro e Lula foi tirada do foco.
Já o reajuste foi acusado de eleitoreiro por uma oposição de resto impedida de combatê-lo demais por risco de parecer demofóbica. De todo modo, Lula já tinha maioria entre os beneficiários do programa na pesquisa passada.
A novidade, por assim dizer, já que é tema recorrente do terceiro mandato do petista, é a questão externa. Lula foi discursar na abertura da Assembleia Geral da ONU na terça com uma agenda pronta de crítica ao que vê como ação do governo de Donald Trump em favor do rival.
Na visão do governo, isso se dá em diversos níveis: disputa comercial, questionamentos de trumpistas acerca da lisura da eleição e a questão da segurança, calcanhar de Aquiles do petismo.
Após a fala de Lula, Trump liderou reunião de países com governo de direita nas Américas na qual entes criminosos como o PCC e o Comando Vermelho foram declarados terroristas. O Brasil rejeita a abordagem, mas ela ressoou imediatamente na campanha, com Flávio acusando o presidente de leniência.
De seu lado, o petista aponta para a belicosidade de Trump em suas ações na região, como a intervenção militar na Venezuela. No primeiro tarifaço do americano, em 2025, a defesa da soberania recuperou um pouco a avaliação do petista, mas até aqui na campanha o discurso não o vinha ajudando.