A passagem de Flávio Bolsonaro (PL) pelo Maranhão nesta terça-feira (22) foi marcada por críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. Após participar de um comício em São Luís, o candidato à Presidência acusou o ex-governador maranhense de utilizar investigações sobre emendas parlamentares de maneira seletiva para atingir adversários políticos. A acusação foi feita pelo candidato e não representa uma conclusão das investigações ou de órgãos de controle.
Ao falar com jornalistas na capital maranhense, Flávio Bolsonaro afirmou que Dino pratica “perseguição política” tanto no STF quanto no Maranhão. O senador questionou o tratamento dado pelo ministro a parlamentares citados em apurações relacionadas ao uso de emendas e alegou que aliados políticos de Dino não receberiam o mesmo tratamento.
As declarações foram feitas durante a agenda eleitoral do candidato em um estado diretamente ligado à trajetória política de Dino, que governou o Maranhão entre 2015 e 2022 antes de assumir o Ministério da Justiça e, posteriormente, uma cadeira no Supremo.
Flávio Bolsonaro também relacionou suas críticas ao episódio envolvendo as discussões no STF sobre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no contexto do caso Banco Master. Em 15 de setembro, Dino pediu vista durante o julgamento que discutia se as questões relacionadas aos dois ministros deveriam ser analisadas simultaneamente.
O pedido interrompeu temporariamente o julgamento. Pelas regras do Supremo, Dino tem prazo de até 90 dias para devolver o processo. Quando a sessão foi suspensa, o plenário ainda não havia decidido sobre o rito a ser adotado nem avançado para uma conclusão sobre eventual investigação de Moraes.
Flávio Bolsonaro interpretou a atuação de Dino como uma tentativa de proteger Moraes. Durante a passagem por São Luís, acusou o ministro maranhense de agir em defesa do colega e voltou a criticar a condução do Supremo.
As críticas também alcançaram a investigação sobre suspeitas de desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares que teriam sido destinados à produção de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Dino autorizou, no dia 10 de setembro, uma operação da Polícia Federal que cumpriu 49 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estava o deputado federal Mario Frias (PL-SP). A investigação apura suspeitas de que recursos de emendas destinados ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura tenham sido desviados para outras finalidades, incluindo a produção do filme.
Em despacho posterior, Dino afirmou haver indícios, ainda no campo investigativo, de que Frias poderia ter exercido papel de liderança na suposta estrutura investigada. A apuração permanece em andamento e não representa uma conclusão sobre responsabilidade criminal do parlamentar.
Durante o ato no Maranhão, Flávio Bolsonaro voltou ainda a tratar da composição futura do STF. O candidato afirmou que pretende indicar novos ministros para a Corte caso seja eleito presidente.
As críticas ao Supremo fazem parte do discurso adotado por Flávio durante a campanha presidencial. Em São Luís, o candidato direcionou especialmente os ataques a Dino, relacionando a atuação do ministro no STF às disputas políticas que marcaram sua passagem pelo governo maranhense.