O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou neste domingo (20) que identifica preconceito contra sua origem maranhense em parte das críticas dirigidas a ele desde que assumiu uma cadeira na Corte. Em publicação nas redes sociais, o magistrado classificou algumas manifestações como expressão de “preconceito regional, de matriz racista”.
Dino publicou um mapa destacando as regiões Norte e Nordeste e afirmou perceber “ódio” relacionado à sua procedência regional. Como exemplos, mencionou expressões que, segundo ele, apareceram em jornais, entre elas “jurista de província” e “oratória grandiloquente de província”.
O ministro reconheceu que o exercício de uma função pública implica exposição ao debate e a questionamentos. Ao mesmo tempo, afirmou considerar seu dever apontar situações em que, na sua avaliação, as manifestações ultrapassam a crítica à atuação profissional e atingem limites relacionados à dignidade e à legislação.
A reação também está relacionada aos questionamentos recentes sobre as referências filosóficas utilizadas por Dino durante sessões do Supremo. O magistrado afirmou que algumas críticas procuram desqualificar seu conhecimento sobre Aristóteles e outros autores e associou esse comportamento ao preconceito regional que diz identificar.
Natural do Maranhão, Dino citou sua formação na Universidade Federal do Maranhão e seu mestrado na Universidade Federal de Pernambuco ao responder às críticas. Ele afirmou que continuará recorrendo à Constituição, às leis e a autores como Aristóteles, Max Weber e Thomas Hobbes sempre que considerar pertinente.
A manifestação ocorre dias depois da sessão de 15 de setembro do STF relacionada ao caso Banco Master e às menções ao ministro Alexandre de Moraes encontradas em material analisado pela Polícia Federal. Durante os debates, Dino recorreu diversas vezes a referências filosóficas e também mencionou uma produção humorística de Fábio Porchat sobre a sucessão de acontecimentos envolvendo o caso.
A sessão terminou sem uma definição sobre a questão de ordem em discussão depois de Dino pedir vista. O pedido suspendeu a análise e ampliou o prazo para que o ministro examine o processo antes da retomada do julgamento.
Ao concluir sua manifestação deste domingo, Dino afirmou que continuará defendendo sua independência funcional e declarou ter orgulho de sua origem no Maranhão, do Nordeste e da Amazônia. A classificação das críticas como preconceituosas e de matriz racista corresponde à interpretação apresentada pelo próprio ministro em sua publicação.