Morreu na noite desta segunda-feira (17), aos 98 anos, a atriz Laura Cardoso, uma das grandes damas da dramaturgia brasileira, de causas naturais. A informação foi confirmada na madrugada desta terça, pelas redes sociais da artista, onde ela mantinha contato com os fãs.
"Nossa grande estrela se despediu de nós", escreveu Fernado Faria, bisneto da atriz, que administra a página no Instagram. "Laura Cardoso estará para sempre em nossos corações. Obrigada por tudo, nossa amada e eterna Laura Cardoso."
Assim, chega ao fim uma trajetória monumental de mais de oito décadas dedicadas à dramaturgia, numa carreira que começou na rádio e no teatro e que, eventualmente, foi uma das responsáveis por fundar e estruturar os alicerces da televisão brasileira.
Filha de ex-camponeses da região portuguesa de Trás-os-Montes, Laurinda de Jesus Cardoso nasceu na capital paulista em 13 de setembro de 1927 e morou, durante a infância, num cortiço no Bixiga, na região central de São Paulo.
O prazer de ler para seus pais e, mais tarde, o orgulho de ser requisitada para recitar para as colegas de ginásio, no colégio de freiras, despertaram seu interesse para as artes cênicas logo cedo.
Iniciou a carreira na Rádio Cosmos aos 16 anos, atuando em programas de auditório, humorísticos e radionovelas. Em 1946, estava na Rádio Tupi quando conheceu o ator, diretor e roteirista Fernando Balleroni, com quem Laura se casaria e que seria seu marido até a sua morte, em 1980, aos 57 anos.
Logo os dois foram para a Rádio Bandeirantes, tempo em que também, com seu grupo de radioteatro, faziam pequenas esquetes em circos da periferia, às vezes sem remuneração. Em 1948, destacou-se como a menina Laurinha de "Ciranda, Cirandinha", na Rádio Cultura. De volta à Tupi, fez radionovelas com direção de Otávio Gabus Mendes.
A era de ouro das radionovelas serviu como sua grande escola formativa. A necessidade de traduzir intenções psicológicas, conflitos e nuances dramáticas exclusivamente por meio da impostação vocal, do ritmo e da respiração moldou o domínio técnico que se tornaria sua principal assinatura e ainda a preparou para dialogar com a sensibilidade do público popular.
Com a inauguração da televisão brasileira na década de 1950, Laura ingressou no elenco pioneiro da TV Tupi, tornando-se figura central dos célebres teleteatros ao vivo. Em 1952, fez sua estreia com "Tribunal do Coração", e ali ficou, como parte do elenco fixo de teleteatro, por 15 anos.
Em "TV de Vanguarda", "TV de Comédia" e "Grande Teatro Tupi", estrelou adaptações de clássicos da literatura, sob a direção de medalhões como Cassiano Gabus Mendes, Vida Alves, Wanda Kosmo e Walter George Durst, entre outros.
Em 1966 e 1967, em temporada carioca, encenou na TV Rio e Excelsior. Novamente em São Paulo, atuou na Bandeirantes e Tupi até fazer uma sequência de novelas na Record, incluindo "As Pupilas do Senhor Reitor". Na fase final da Tupi, Laura trabalhou em "Os Inocentes" e "Ídolo de Pano", entre outras.