Para mim, foi maravilhoso ver brasileiros e escoceses juntos em Miami e observar o quanto estavam se divertindo. Sabemos, obviamente, da paixão da torcida brasileira pelo futebol. Nenhum país conquistou mais Copas do Mundo do que o Brasil, com cinco títulos. E você via os escoceses se divertindo muito. Como eles dizem: "Sem a Escócia, não há festa." E pensei: quem sabe... talvez algumas famílias brasileiro-escocesas tenham surgido durante essa viagem para Miami. Quem sabe?
O senhor acredita que o futebol seja um esporte que desperta mais interesse entre os americanos depois desta Copa?
Na última Copa do Mundo realizada nos Estados Unidos, em 1994 —que eu sei que os brasileiros conhecem muito bem—, não existia a Major League Soccer e nem a National Women's Soccer League. A Copa aconteceu, foi um enorme sucesso e, obviamente, o Brasil conquista seu quarto título mundial na época. Poucos anos depois nasce a Major League Soccer. Algum tempo depois surge também a National Women's Soccer League.
Acho que esta Copa continuará impulsionando esse crescimento. E, embora eu não saiba se o futebol ultrapassará o futebol americano em popularidade no curto prazo, não me surpreenderia se, quando nós dois conversarmos novamente, na próxima vez em que uma Copa do Mundo vier aos Estados Unidos, o futebol estiver entre os dois esportes mais populares do país.
Outra preocupação antes da Copa do Mundo era que as operações de fiscalização migratória pudessem afetar a experiência dos torcedores. No fim, não vimos operações significativas do ICE ao redor dos estádios ou das torcidas. Isso foi algo solicitado pela Fifa, pela Casa Branca ao Departamento de Segurança Interna (DHS) ou houve preocupação dos patrocinadores?
O ICE esteve presente nesses 100 jogos. E continuará presente nas quatro partidas restantes. Além disso, muitas das redes de tráfico humano que foram desmanteladas durante esta Copa do Mundo foram resultado do trabalho de uma divisão do ICE.
Acho que, às vezes, as pessoas confundem quando falamos de imigração nos Estados Unidos e de receber visitantes no país. Muitas vezes se mistura imigração ilegal com imigração legal e hospitalidade. Nós fazemos as duas coisas nos Estados Unidos.
Fazemos tudo o que podemos, sob este presidente e sob este secretário de Segurança Interna [Markwayne Mullin], para garantir que nossa fronteira seja segura e que não haja imigrantes ilegais entrando nos Estados Unidos, porque temos o dever de proteger o país. Minha responsabilidade é proteger a Copa do Mundo e esses locais.
Preciso voltar à controvérsia do cartão vermelho [aplicado pelo árbitro brasileiro Raphael Claus ao jogador americano Falorin Balogun e que foi revertido nas oitavas de final após ligação de Donald Trump ao presidente da Fifa, Gianni Infantino]. O senhor acredita que o envolvimento do presidente Trump ultrapassou a linha entre apoio político e influência em uma decisão do esporte?
Acho que, mais do que qualquer outra coisa, o que as pessoas provavelmente não entendem é que o presidente e Gianni [Infantino], o presidente da Fifa, conversam várias vezes por semana. E, durante este torneio, eles falaram três ou quatro vezes por semana. Então, essa conversa aconteceu dentro do curso normal das conversas entre eles.
Na minha visão, a irregularidade foi o fato de o árbitro recorrer ao VAR, utilizando o replay em câmera lenta aos 64 minutos em uma falta por contato. Um árbitro da Fifa deveria saber que aquele não era o momento nem havia autorização para fazer isso, e que, do ponto de vista do procedimento, aquilo estava errado.
Quando você soma isso ao fato de que ele havia sido questionado em uma investigação sobre manipulação de resultados por aplicar cartões vermelhos irregulares, era nosso dever e nossa responsabilidade fazer perguntas, considerando os bilhões de dólares que os contribuintes americanos investiram para sediar uma Copa do Mundo que fosse segura, acolhedora, mas também cheia de integridade.
Os registros públicos mostram que Claus nunca foi alvo da investigação, apenas testemunha, e sequer foi chamado para depor. Além disso, após o fim da investigação, o presidente da Comissão de Arbitragem da CBF elogiou publicamente sua atuação. Que informação levou a Casa Branca a concluir que ele representava uma preocupação?
Bem, o fato de ele ter sido questionado, certo? Quero dizer, em última análise, o fato de ele ter sido ouvido nesse caso. Quando você soma isso ao fato de que foi dado um cartão vermelho irregular... qualquer árbitro da Fifa, qualquer árbitro de alto nível, saberia que não se pode utilizar o VAR daquela forma aos 64 minutos. Portanto, o cartão vermelho jamais deveria ter sido aplicado.
Não estamos falando de um daqueles lances rápidos em que você vê a jogada a olho nu e existe margem para erro humano. Estamos falando de uma situação em que, se você é um dos melhores árbitros do mundo, deveria saber que não pode recorrer ao replay em câmera lenta naquele momento.
Então, quando você reúne esses dois fatos e vê que esse procedimento foi utilizado, entendemos que tínhamos o dever e a responsabilidade de levantar esses questionamentos.
Depois daquela partida, Claus não foi escalado para mais nenhum jogo da Copa do Mundo. Gostaria de saber se houve algum pedido ou recomendação da Casa Branca para que ele não voltasse a apitar...
Não. Não houve nenhum pedido da nossa parte.
O jogador da Inglaterra Jarell Quansah recebeu um cartão vermelho e teve de cumprir suspensão nas quartas de final e na semifinal, sem que fosse aberta qualquer exceção. O senhor acredita que a forma como o caso nos EUA foi tratado criou um precedente?
Olha, acho que essa é uma pergunta que deve ser feita à Fifa. Mas o que posso dizer é que o primeiro-ministro [do Reino Unido] Kevin Starmer, na verdade, se envolveu na questão do horário da partida das oitavas de final entre México e Inglaterra.
Houve uma sugestão para que o jogo fosse antecipado porque, após a partida da fase anterior, quatro mexicanos morreram durante as comemorações. Entendeu-se que seria mais seguro para os ingleses que estavam no México e também para os mexicanos que esse jogo fosse realizado mais cedo.
O governo britânico interveio para que o horário da partida não fosse alterado. Eu diria que esse foi um caso muito mais significativo do que qualquer coisa que aconteceu dentro de campo, porque envolvia a possibilidade de perda de vidas e questões de segurança.
[Segundo a imprensa britânica, Starmer impediu que a partida fosse antecipada por meios diplomáticos. No fim, a partida não foi alterada, o que gerou críticas pela Casa Branca.]
Eu estava me referindo ao cartão vermelho que o jogador inglês recebeu durante a partida e que fez com que ele...
E, novamente, acho que essa é uma pergunta que deve ser feita à Fifa.
Sobre a presença do presidente Trump nos estádios: ele ainda não compareceu a nenhuma partida desta Copa do Mundo. O senhor nos disse que deveríamos pegar a pipoca porque ele poderia nos surpreender, mas, até agora, essa surpresa não aconteceu.
Vocês realmente não se surpreenderam com o presidente Trump durante a Copa do Mundo? Acho que você acabou de me fazer algumas perguntas sobre isso. [Risos].
Ele não foi a nenhuma das partidas. Ele pode ir à semifinal, ainda pretende ir à final ou houve alguma mudança nos planos?
Olha, vocês vão ter que acompanhar estes últimos seis dias. Acho que provavelmente veremos o presidente em algum momento antes do fim desta Copa do Mundo. Mas eu não gosto de revelar segredos.
Existe algum motivo para ele não ter comparecido até agora? Algum problema específico de segurança?
Há algumas coisas acontecendo no mundo, certo? Quando você pensa no presidente dos Estados Unidos, está falando do líder do mundo livre, e há questões que exigem sua atenção.
Ele fez um trabalho extraordinário liderando nosso país depois do desastre do 46º presidente [Joe Biden], trazendo os Estados Unidos de volta a esta era de ouro da América. Isso o mantém um pouco ocupado durante o dia. E, embora nós possamos aproveitar e assistir ao futebol aqui como americanos, e o mundo todo seja recebido nos Estados Unidos, ele está um pouco ocupado fazendo o trabalho dele.