O 1º Tribunal do Júri de São Luís condenou Maria Eduarda Marques a 21 anos, 11 meses e 26 dias de prisão por tentar matar a própria mãe enquanto ela estava internada no Hospital Geral da Vila Luizão, na capital maranhense. A sentença foi proferida após julgamento realizado na terça-feira (23), no Fórum Desembargador Sarney Costa, e o juiz Gilberto de Moura Lima determinou o cumprimento imediato da pena.
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Maranhão (MP-MA), os crimes ocorreram nos dias 24 e 27 de abril de 2025. A acusação sustentou que Maria Eduarda tentou envenenar a mãe, Sandra Maria Marques, utilizando uma substância tóxica conhecida como “chumbinho” enquanto a vítima recebia tratamento hospitalar.
A investigação apontou que a primeira tentativa ocorreu quando a filha, que acompanhava a mãe durante a internação, pediu a uma técnica de enfermagem que substituísse o medicamento administrado pela equipe médica por outro levado por ela, alegando que seria mais adequado. Ao analisar o frasco entregue, a profissional percebeu a presença de partículas estranhas e comunicou imediatamente a médica responsável, que identificou indícios de adulteração e encaminhou o material para perícia.
Três dias depois, segundo o Ministério Público, Maria Eduarda voltou ao hospital levando outro frasco de medicamento e solicitou que ele fosse aplicado na mãe, afirmando que o remédio havia desaparecido durante o plantão anterior e seria necessário para ajudá-la a dormir. A equipe médica novamente desconfiou da substância apresentada, acionou a direção do hospital e comunicou o caso à polícia.
Os exames periciais confirmaram a presença da substância tóxica no organismo da vítima. Conforme os autos, Sandra Maria Marques sobreviveu graças à rápida atuação dos profissionais de saúde, que impediram que as tentativas de envenenamento tivessem consequências fatais.
Durante o julgamento, o Conselho de Sentença reconheceu que a ré praticou tentativa de feminicídio em contexto de violência familiar. Também foram acolhidas as qualificadoras relacionadas ao uso de veneno e ao emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima. O Ministério Público ainda sustentou as agravantes pelo fato de o crime ter sido cometido contra ascendente — a própria mãe — e contra uma pessoa enferma e hospitalizada.
Ao longo da sessão foram ouvidas oito testemunhas, além do interrogatório da acusada. Após os crimes, Maria Eduarda deixou São Luís e passou a residir em Santa Rita, onde foi presa em julho de 2025, quando saía de uma academia. Desde então, permaneceu à disposição da Justiça até o julgamento realizado nesta semana.