O brasileiro Herik Ferreira Soares, 23, que lutava pela Ucrânia na guerra contra a Rússia, foi capturado por forças russas e virou prisioneiro. O relato foi feito por ele mesmo por meio de um vídeo gravado em território russo, no sábado, e divulgado nas redes sociais. De Castanhal, no Pará, ele estava na Ucrânia pela segunda vez, desde fevereiro.
Ao UOL, o MRE (Ministério das Relações Exteriores) informou que a Embaixada do Brasil em Moscou tem conhecimento do caso e está em contato com a família e prestando assistência consular. "A Embaixada está igualmente em contato com as autoridades russas, buscando informações adicionais sobre o caso", disse.
Na gravação, Herik não explica com foi capturado, mas afirma que foi vítima de uma "propaganda mentirosa ucraniana", que teria ofertado um "serviço na retaguarda, de trabalhar em um local seguro".
"Eles mentiram para mim, me enviaram para a linha de frente, para o combate, com front, de confronto intenso, e não era isso estava no acordo, o meu serviço não era para ser de combatente".
Segundo apurou o UOL, Herik era motorista do pelotão de metralhadoras da 1ª companhia do batalhão de fuzileiros (pelotão internacional) da unidade militar A4638. Ele desapareceu no dia 29 de maio durante operação para tentar libertar dos russos o distrito de Svatove, região de Luhansk.
"Após eu passar por esse horror da guerra, eu me dei conta de que os comandantes ucranianos só querem usar o povo latino-americano e outros estrangeiros para que o povo deles se beneficie".
Ainda no vídeo, ele agradece aos militares russos que "prestaram assistência médica de forma humanitária".
No fim, Herik ainda pede desculpa à mãe por não ter ouvido os conselhos dela e de amigos para não voltar para a Ucrânia. "Me perdoe por ter voltado aqui para esse inferno. Não compensa vir para cá atrás de dinheiro sujo, que não vale a pena. Não deixe a segurança da sua família para uma guerra que não é sua".
A mãe dele, Rosiete Braga Ferreira, disse que Herik foi para a Ucrânia de novo pouco tempo depois de retornar de uma estadia no país em 2025. "Na primeira vez que ele foi, ele não avisou, mas voltou bem. Eu, e todos aqui, o aconselhamos para não voltar para lá", afirmou.
Rosiete contou que o filho não deu detalhes das atividades que desenvolveu no país quando esteve lá na primeira vez. "A gente pouco falava sobre a Ucrânia", disse.
Ela relatou que o último contato com o filho foi feito em 15 de maio e que só soube da situação que ele está passando no sábado, ao receber o vídeo de Herik por uma colega, que o viu nas redes sociais.
Nós mandamos mensagem para o Itamaraty, para a Cruz Vermelha. Fizemos o pedido para divulgar para ajudá-lo a vir embora logo para o Brasil. É um sentimento muito triste, ver o filho desse jeito.
Rosiete Braga Ferreira, mãe de Herik
Ainda na nota enviada à coluna, o MRE afirma que a atuação consular no caso de brasileiros que se envolvem em forças armadas de terceiros países apresenta "especificidades inerentes às obrigações contraídas no ato de alistamento e às circunstâncias no terreno de operações".
O texto ainda faz um alerta: "Informa-se que o Ministério das Relações Exteriores publicou alerta sobre a participação de combatentes brasileiros em conflitos armados em terceiros países, que pode ser consultado aqui."