Os evangélicos foram os responsáveis pela queda do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana. Nela, o filho de Jair Bolsonaro aparece com 38% das intenções de voto para presidente no segundo turno, ficando oito pontos atrás de Lula, com 44%.
Um recorte exclusivo que considerou a religião dos eleitores mostra que o filho de Jair Bolsonaro manteve em junho, no segundo turno, o mesmo percentual de votos entre os católicos que conseguiu obter em maio: 34%.
Já entre os evangélicos, a queda foi de nove pontos: ele tinha 61% das intenções de voto, contra 52% agora. Foram eles que puxaram o filho de Bolsonaro para baixo na pesquisa.
Lula, embora com percentual distante do de Flávio, subiu de 24% para 31% entre os eleitores desse grupo religioso.
Uma das explicações pode ser a melhora da avaliação do governo entre esse grupo religioso: em abril, 28% aprovavam a administração de Lula; em maio, 30%; em junho, a aprovação saltou para 35%.
A desaprovação do governo Lula caiu de 68% em abril para 65% em maio e 60% em junho, mostra a pesquisa.
Líderes evangélicos ouvidos pela coluna afirmam que a explicação da queda pode estar também no fato de o candidato ter sido pego na mentira no caso de seu envolvimento com o Banco Master.
Em março, quando a coluna revelou que a CPI do INSS havia localizado o número de celular dele entre os contatos do ex-banqueiro, o senador chegou a dizer que os dois nunca haviam tido contato. Afirmou ainda que seu número não seria propriamente um segredo, o que justificaria que ele estivesse na agenda de Daniel Vorcaro.
Um levantamento da consultoria Ativaweb DataLab, que analisou mais de 17 milhões de menções públicas nas redes sociais nas primeiras 20 horas após a Marcha para Jesus, na semana passada, já mostrava problemas para Flávio Bolsonaro entre esse público.
De acordo com o levantamento, 51,9% das menções ao senador tiveram tom negativo. A consultoria relaciona parte das críticas à fala em que ele afirmou que o Brasil vive uma "guerra espiritual" e que "o mal vai ser expulso do governo".
Os pesquisadores identificaram um volume expressivo de manifestações de cristãos criticando a transformação da Marcha em espaço de disputa eleitoral.