O dinheiro bloqueado pela Fazenda paulista no início deste ano corresponde a uma operação de emissão de CDB vinculado a um empréstimo com o mesmo grupo. A usina Itajobi, que pertence ao grupo Copape e Áster, investiu R$ 176 milhões em CDBs do Genial por meio do fundo Radford — que foi bloqueado na ação movida pela Fazenda para recuperar os valores sonegados.
Em seguida, o Genial emprestou via CCB, com garantia do mesmo CDB comprado pelo Radford, parte valor para uma empresa chamada Berna, que por sua vez adquiriu quotas do fundo Los Angeles, então administrado pela Reag. Posteriormente o Los Angeles foi rebatizado de Lucerna, com a administração e gestão sendo transferida da Reag para a Banvox.
A Berna detém cerca de 20 imóveis avaliados em mais de R$ 200 milhões, incluindo terrenos no Tremembé e Vila Guilherme, zona leste de São Paulo, e também postos de gasolina.
Segundo registros em cartório, os imóveis que integram o fundo estão alienados fiduciariamente para o Genial como garantia do empréstimo (CCB) que já estava garantido pelo CDB e cujos valores foram bloqueados.
A operação vinculada do CDB com o empréstimo para a Berna sugere que o dinheiro dos próprios Mohamed e Beto foi usado para comprar imóveis para eles próprios, em uma estrutura montada para viabilizar a compra fictícia das quotas do FII, alienação fiduciária para lavagem, ocultação e blindagem patrimonial
No dia 28 de agosto de 2025, na noite da operação Carbono Oculto, a Genial tentou desfazer as duas operações, alegando que a ordem de desfazimento teria sido feita em data anterior. No entanto, conforme consta nos autos do processo, em outubro, a procuradoria considerou a operação uma "fraude à ordem de execução" e determinou o bloqueio dos dinheiro.