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Mirando Áster e Copape, Fazenda paulista bloqueia R$ 176 milhões do Genial…
Por CIDADE FM 91,1 Mhz - GRAJAÚ MA
Publicado em 04/05/2026 09:32
NOTÍCIA

 Secretaria da Fazenda de São Paulo bloqueou R$ 176 milhões do grupo Genial Investimentos como parte de uma ação cautelar fiscal movida contra as empresas de combustível Áster e Copape, dos empresários Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme, conhecidos como Primo e Beto Louco.

 

A Áster, distribuidora, e a Copape, formuladora de combustível, são investigadas na Carbono Oculto por sonegação fiscal e organização criminosa. Na medida cautelar fiscal, a Secretaria da Fazenda tenta o bloqueio de R$ 7,6 bilhões devidos de ICMS, valor que inclui juros e multa.

 

A Genial Investimentos começou a fazer negócios com Primo e Beto Louco a partir do segundo semestre de 2024, quando eles se desentenderam com João Carlos Mansur, dono da Reag. Até então, a Reag era a principal gestora usada pelos donos da Copape e Áster para remunerar investimentos e lavar dinheiro de sonegação

Quando saíram da Reag, eles também levaram para o grupo Genial um FIDC de cerca de R$ 500 milhões atrelado a uma carteira de consignados do Banco Master — o banco de Daniel Vorcaro que também contava com a Reag para lavar dinheiro e ocultar patrimônio por meio de fundos.

 

O dinheiro bloqueado pela Fazenda paulista no início deste ano corresponde a uma operação de emissão de CDB vinculado a um empréstimo com o mesmo grupo. A usina Itajobi, que pertence ao grupo Copape e Áster, investiu R$ 176 milhões em CDBs do Genial por meio do fundo Radford — que foi bloqueado na ação movida pela Fazenda para recuperar os valores sonegados.

 

Em seguida, o Genial emprestou via CCB, com garantia do mesmo CDB comprado pelo Radford, parte valor para uma empresa chamada Berna, que por sua vez adquiriu quotas do fundo Los Angeles, então administrado pela Reag. Posteriormente o Los Angeles foi rebatizado de Lucerna, com a administração e gestão sendo transferida da Reag para a Banvox.

 

A Berna detém cerca de 20 imóveis avaliados em mais de R$ 200 milhões, incluindo terrenos no Tremembé e Vila Guilherme, zona leste de São Paulo, e também postos de gasolina.

Segundo registros em cartório, os imóveis que integram o fundo estão alienados fiduciariamente para o Genial como garantia do empréstimo (CCB) que já estava garantido pelo CDB e cujos valores foram bloqueados.

A operação vinculada do CDB com o empréstimo para a Berna sugere que o dinheiro dos próprios Mohamed e Beto foi usado para comprar imóveis para eles próprios, em uma estrutura montada para viabilizar a compra fictícia das quotas do FII, alienação fiduciária para lavagem, ocultação e blindagem patrimonial

No dia 28 de agosto de 2025, na noite da operação Carbono Oculto, a Genial tentou desfazer as duas operações, alegando que a ordem de desfazimento teria sido feita em data anterior. No entanto, conforme consta nos autos do processo, em outubro, a procuradoria considerou a operação uma "fraude à ordem de execução" e determinou o bloqueio dos dinheiro.

O Genial entrou com recurso, mas perdeu, com a última decisão proferida em 9 de janeiro.

Em nota, o Genial afirmou atuar "em estrita conformidade com as normas do mercado financeiro, pautando suas atividades por elevados padrões de governança, transparência e controles internos". Diz ainda: "As medidas judiciais mencionadas referem-se a processo em curso envolvendo fundo sob administração do banco. A atuação como administradora fiduciária foi conduzida em conformidade com a regulamentação aplicável e com os deveres inerentes a essa função".

Sobre a Operação Carbono Oculto, o Banco Genial afirmou que não é investigado, mas que tem "colaborado com as autoridades desde que tomou conhecimento dos fatos".

Fundado há cerca de 20 anos, o grupo Genial conta com mais de 2 milhões de clientes e R$ 280 bilhões em ativos sob custódia

Os donos da Áster e Copape foram levados para a Genial pelo diretor Humberto Tupinambá. Um irmão de Humberto, André, era próximo do herdeiro da Copape, Matheus Santiago — e intermediou em 2020 a venda da empresa para Mohamed e Beto após a morte do seu pai, Carlos Santiago. Tupinambá se tornou a pessoa de confiança de Beto e Mohamed no banco e conduzia reuniões com Mohamad para tratar da transferência dos ativos tanto no escritório do grupo Copape na zona norte de São Paulo, quanto na sede da Genial, no Rio de Janeiro.

A dupla era tratada com a deferência de clientes de alta renda. Em 2024 — um ano antes da Carbono Oculto — Beto chegou a ser convidado para um evento na sede do Genial com a presença do então candidato a reeleição para a prefeitura de São Paulo, Ricardo Nunes, e também do governador Tarcísio de Freitas.

FUNDO 'CAIXA PRETA'

A Genial administra ainda um outro fundo que é alvo das investigações da operação Carbono Oculto com ligações com os donos da Copape. Trata-se do fundo Viena, que os investigadores descrevem como um "fundo caixa-preta" que investe em um outro fundo chamado Bariloche, que por sua vez investe na Bariloche Participações. A empresa é dona de aviões executivos operados pela Táxi Aéreo Piracicaba (TAP) — a mesma que aparece nas investigações com ligação com os donos da Copape e também com o PCC. A partir do depoimento de um piloto da TAP, a investigação apura ainda a possível ligação dos aviões com o presidente do União Brasil, Antonio Rueda.

Em nota ao UOL na época, Rueda negou qualquer relação com a Bariloche ou com o fundo Viena.

CONSIGNADO

Além de herdar clientes e fundos da Reag, a Genial cresce em um mercado que era dominado pelo Master: de crédito consignado para servidores públicos dos estados. O banco lançou recentemente o Genial Consig e conquistou o estado do Rio de Janeiro, ocupando espaço que era do Master, e está avançando para o Amazonas e o Ceará.

 
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