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Dólar despenca,fecha abaixo de R$ 5 pela primeira vez em dois anos após declarações de Trump sobre Irã
Bolsa brasileira ainda renovou recorde histórico pela quarta vez consecutiva Delegações dos países se reuniram no sábado (11), mas não chegaram a um acordo para um cessar-fogo definitivo
Por CIDADE FM 91,1 Mhz - GRAJAÚ MA
Publicado em 13/04/2026 20:16
NOTÍCIA
São Paulo

dólar rompeu o piso de R$ 5 pela primeira vez em dois anos na sessão desta segunda-feira (13), com investidores reagindo aos novos desdobramentos da guerra no Irã.

A cotação final foi de R$ 4,997, uma baixa de 0,26% em relação a sexta-feira (10). Trata-se do menor valor para a moeda norte-americana desde 27 de março de 2024, quando atingiu R$ 4,980.

A moeda voltou a operar abaixo do patamar dos R$ 5 ainda no início da tarde, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que Teerã quer fazer um acordo para encerrar o conflito que se estende desde o final de fevereiro. Mesmo que o governo iraniano não tenha confirmado a iniciativa, os mercados globais interpretaram a afirmação do republicano como uma sinalização de trégua futura, reduzindo temores de uma nova escalada nos ataques.

 

O alívio também beneficiou a Bolsa brasileira, que fechou em alta de 0,34%, a 198.000 pontos —novo recorde histórico. No pico do dia, o Ibovespa atingiu 198.173 pontos, renovando a máxima durante o período de negociações.

"Os Estados Unidos voltaram a falar em um acordo e que as negociações vão continuar, o que já era o esperado. Dificilmente os dois países iriam chegar a um consenso logo na primeira negociação", diz Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.

 

"O fluxo estrangeiro está muito positivo para o Brasil há algum tempo. O mercado está otimista com o país, seja para investir na Bolsa, seja para investir em outros ativos, e isso ajuda a apreciar ainda mais o câmbio."

A soma de fatores empurrou o dólar para baixo já na semana passada. Na sexta, por exemplo, a moeda testou o patamar de R$ 5 pela primeira vez desde que foi alçada a esse valor, pegando carona no otimismo com uma trégua definitiva no Oriente Médio e no custo-oportunidade de investir no Brasil.

O fracasso das negociações entre Estados Unidos e Irã no final de semana chegou a impor cautela nos mercados pela manhã, com a moeda atingindo a máxima de R$ 5,039, e a Bolsa, a mínima de 196.222 pontos.

A tendência foi revertida à tarde, quando Trump afirmou a repórteres na Casa Branca que o Irã procurou pelo governo republicano visando o cessar-fogo.

Até então, havia poucos sinais de que as negociações estavam de volta aos trilhos. Investidores chegaram a temer uma retomada dos ataques em meio ao impasse e à escalada de tom entre as autoridades de ambos os países.

 

 

O Irã culpou os EUA pelo colapso das negociações e não confirmou novas conversas nesta segunda-feira.

"Fomos contatados esta manhã pelas pessoas certas, as pessoas apropriadas, e elas querem chegar a um acordo", disse Trump, sem dar detalhes sobre quem participou da conversa.

A declaração ocorre em meio ao bloqueio do estreito de Hormuz às 11h, no horário de Brasília, em medida determinada por Trump no domingo (12) depois que as delegações não chegaram a um acordo.

O bloqueio também havia sido em resposta à cobrança de um pedágio para as embarcações. Em vez de reabrir a passagem como havia sido combinado na trégua, Teerã estabeleceu uma rota que diz evitar minas colocadas pela teocracia e passa por suas águas territoriais. Um petroleiro precisaria pagar US$ 1 em criptomoedas por cada barril de óleo transportado.

"O bloqueio será realizado de maneira imparcial contra embarcações de todos os países que entrem ou partam de portos e áreas costeiras do Irã", disseram os militares americanos, afirmando que não impedirão a navegação de barcos "que cruzem o estreito de Hormuz vindo de ou com destino a portos não-iranianos".

Neste cenário, o petróleo Brent voltou a cruzar o patamar de US$ 100 o barril, em alta de mais de até 7%. À tarde, com a sinalização de trégua, os ganhos desaceleraram para 3%, a US$ 98 o barril. Ações europeias e asiáticas fecharam em baixa, e índices acionários nos EUA avançaram até 1,2%.

"Os mercados estão tentando filtrar o turbilhão de manchetes. Até agora, pelo menos, estão lidando relativamente bem com as notícias, pois ainda não vimos um retorno dos preços aos níveis anteriores ao cessar-fogo", diz Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado global da Ebury.

 

"Isso sugere que os investidores talvez vejam a ruptura nas negociações mais como um obstáculo no caminho e um sinal de jogo de pressão, em vez de algo que necessariamente possa atrapalhar o caminho para a paz."

 

 
 
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