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Daniel Vorcaro assina acordo de confidencialidade para iniciar delação
Documento é primeiro passo para negociar colaboração e foi assinado com PGR e Polícia Federal Ex-banqueiro foi transferido de penitenciária federal para sede da PF em Brasília nesta quinta (19)
Por CIDADE FM 91,1 Mhz - GRAJAÚ MA
Publicado em 19/03/2026 21:11
NOTÍCIA
Brasília

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro assinou um termo de confidencialidade com as autoridades envolvidas na investigação do caso da fraude do Banco Master. Esta é a primeira etapa formal para dar início às negociações para um acordo de colaboração premiada.

O documento foi assinado entre o empresário, a defesa dele, a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a Polícia Federal.

Também nesta quinta-feira (19), o dono do Banco Master foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal, para discutir os termos de seu acordo.

A transferência foi feita de helicóptero e com medidas tanto para garantir a segurança de Vorcaro quanto para evitar risco de fuga.

 

A decisão foi tomada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que relata o inquérito sobre irregularidades relacionadas à instituição financeira.

A rotina na penitenciária federal é a mais rígida do sistema de privação de liberdade. No local, Vorcaro só tinha contato com seus advogados por meio de um parlatório, com divisão de vidro e gravação. A defesa pediu a Mendonça para que pudesse falar com o cliente sem ser gravada, o que foi concedido pelo relator.

 

A partir de agora, ele começa a ter reuniões com os próprios advogados para debater os fatos investigados. As primeiras reuniões são feitas internamente, entre colaborador e defesa.

Quando eles entenderem que estão preparados, passam a discutir o material reunido com as autoridades.

Neste momento, tem início um processo de checagem sobre o que os investigadores entendem fazer ou não sentido, ser insuficiente, se tem ou não prova para corroborar a narrativa feita por Vorcaro. Esta etapa serve para fechar uma base de fatos e depois disso é que se avança para os depoimentos em si.

Em nota, a Polícia Federal informou que "em cumprimento à decisão judicial proferida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, no âmbito da PET 15.711, realizou, nesta quinta-feira (19/3), a transferência do custodiado Daniel Bueno Vorcaro do Sistema Penitenciário Federal para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal".

A decisão de Mendonça foi tomada a pedido da defesa de Vorcaro. Ele foi transferido de helicóptero. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também ficou preso na Superintendência até janeiro deste ano, quando foi transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar, área conhecida como Papudinha.

 

Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro, quando tentava embarcar para o exterior, no Aeroporto de Guarulhos. A PF desconfia que ele tentava fugir do país, mas ele argumenta que viajaria para encontrar investidores interessados em comprar o Banco Master.

Ele foi solto dez dias depois e voltou a ser preso em 4 de março deste ano, em fase da operação policial Compliance Zero que também atingiu servidores do Banco Central.

Na última semana, ele anunciou que troca na sua defesa, e substabeleceu procuração para o advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca.

Juca já conduziu delações premiadas delicadas, como a do ex-presidente da OAS Leo Pinheiro na Operação Lava Jato.

O advogado também defendeu o ex-ministro José Dirceu na época do escândalo do mensalão, em 2012, e representou o general Braga Netto, ex-ministro de Bolsonaro, no processo da tentativa de golpe de Estado no Brasil.

 

Segundo a coluna de Mônica Bergamo, da Folha, Vorcaro não pretende envolver ministros do Supremo em um eventual acordo relacionado ao Master e tem dito que fará isso apenas se for inevitável.

Liquidado pela autoridade monetária em novembro, o Banco Master já causou perdas de mais de R$ 50 bilhões a diferentes entidades, incluindo o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e fundos de pensão.

Nesta quarta (18), André Mendonça atendeu a pedido da Polícia Federal e prorrogou por mais 60 dias o inquérito que investiga suspeitas de fraudes relacionadas à tentativa de compra do Master pelo BRB (Banco de Brasília).

O magistrado afirmou que a prorrogação é necessária para "realização de diligências reputadas imprescindíveis para o esclarecimento dos fatos".

O argumento da PF é de que ainda há extenso volume de material a ser analisado, oriundo das buscas e apreensões e de quebras de sigilo. A reportagem apurou com investigadores que Mendonça informou que deve estender o prazo até a conclusão das investigações.

 
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