O conselheiro de Donald Trump para o Brasil, Darren Beattie, pediu um encontro com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Kassio Nunes Marques, para discutir o processo eleitoral no país. Vice-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Nunes Marques assumirá a presidência da Corte em junho, comandando as eleições deste ano.
O magistrado já havia concordado com o encontro, que, no entanto, não tinha sido ainda marcado. E nem deverá ocorrer, já que o presidente Lula (PT) proibiu a entrada de Beattie no país. O petista tomou a medida como retaliação ao fato de o governo Trump ter cancelado os vistos de ministros do próprio STF e de seu governo, impedindo que entrem nos EUA.
A visita de Beattie ao Brasil gerou polêmica. Entre outras agendas, ele pediu para visitar Jair Bolsonaro na prisão. Ativista de ultradireita, o conselheiro é próximo de Eduardo Bolsonaro, um dos filhos do ex-presidente, e já disse que o ministro Alexandre de Moraes é "o coração pulsante do complexo de perseguição e censura contra Jair Bolsonaro" no país.
Moraes autorizou inicialmente o encontro, mas recuou depois de receber informações do Itamaraty, que via na viagem do assessor uma tentativa de ingerência em assuntos internos em pleno ano eleitoral.
"Cumpre observar, por oportuno, que a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro", disse o chanceler Mauro Vieira em ofício enviado a Moraes.
"Recordo que a Corte Internacional de Justiça, em mais de uma oportunidade, ressaltou o caráter costumeiro do princípio da não-intervenção [...]. O princípio da não-intervenção também está insculpido na Carta da Organização dos Estados Americanos, em seu art. 3(e), da qual tanto o Brasil quanto os Estados Unidos da América são partes", afirmou ainda o diplomata.