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Governo quer aproveitar megaoperação contra PCC para avançar com PEC da Segurança no Congresso
Tratada como prioridade pelo Planalto, proposta foi aprovada na CCJ da Câmara, mas ainda precisa ser analisada em comissão e plenário
Por CIDADE FM 91,1 Mhz - GRAJAÚ MA
Publicado em 29/08/2025 19:00
NOTÍCIA
Brasília

O governo Lula (PT) quer aproveitar a repercussão da megaoperação contra o crime organizado nesta quinta-feira (28) para destravar a votação da PEC da Segurança Pública no Congresso Nacional.

A gestão petista é criticada pela oposição por não apresentar uma marca federal para a área da segurança pública, e isso deverá ser explorado contra o governo na campanha eleitoral em 2026. Considerada uma das prioridades do governo no Legislativo e principal aposta do Executivo na área da segurança pública, a PEC (proposta de emenda à Constituição) enfrenta resistência de parlamentares da oposição e governadores e está parada na Câmara.

Há uma avaliação entre integrantes do governo de que é preciso aproveitar o momento para destravar a proposta. Eles citam como exemplo a força do vídeo viral do influenciador Felca que expôs situações de exploração infantil na internet e que mobilizou a opinião pública e resultou na aprovação no Congresso de projeto que impõe regras para proteger crianças e adolescentes em meios digitais.

 

Além disso, possibilitou a retomada do debate de regulação das big techs —até então fora do radar do Legislativo.

 

Nesse sentido, acreditam que a opinião pública poderá pressionar congressistas, da direita à esquerda, para acelerar a tramitação da PEC da Segurança Pública.

Elaborada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, chefiado por Ricardo Lewandowski, a proposta busca reforçar a atuação do governo federal na área, estabelecendo diretrizes mínimas a serem seguidas por órgãos de segurança de todo o país. O Executivo diz que o texto não prevê a interferência na autonomia dos estados.

Um auxiliar de Lula afirma que a megaoperação mostrou a necessidade de uma integração entre órgãos para combater o crime organizado no país. Ao todo, três operações ocorreram ao mesmo tempo na quinta. A mais importante delas é a Carbono Oculto, uma parceria entre o Gaeco, do Ministério Público de São Paulo, e a Receita Federal, vinculada ao governo federal. As outras duas, Quasar e Tank, foram feitas pela Polícia Federal.

No último dia 15 de julho, a PEC foi aprovada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, por 43 votos a 23, e desde então não avançou.

Pelo rito regimental, cabe ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), instalar uma comissão especial que analisará o mérito da proposta —há um prazo de 40 sessões para votar o texto, sendo que o período para emendas se esgota nas 10 primeiras sessões. Até esta sexta-feira (29), quase todas as 68 vagas do colegiado (34 titulares e 34 suplentes) estavam preenchidas com indicações dos partidos.

A ideia de governistas, agora, é aproveitar a repercussão da megaoperação contra o PCC para pressionar Motta a instalar o colegiado. De acordo com um integrante do governo, Lewandowski tem mantido contato frequente com integrantes do Congresso, inclusive Motta, desde a aprovação da matéria na CCJ, buscando avançar com a proposta.

Na própria quinta, após a operação ter sido deflagrada, parlamentares aliados do governo e integrantes do Executivo disseram ser importante aproveitar o momento político para avançar com o texto.

 

Líder do governo na Câmara, o deputado José Guimarães (PT-CE) afirmou que a operação "deixou claro a urgência" de o Congresso aprovar a PEC. "Governadores e parlamentares da oposição são contra, mas a sociedade clama por mais segurança. Não podemos ficar reféns do oposicionismo eleitoral", escreveu em publicação nas redes sociais.

A ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), responsável pela articulação do Executivo com o Legislativo, disse em publicação nas redes sociais que a operação "comprova a importância do trabalho conjunto das forças de segurança". "É isso que propõe a PEC da Segurança Pública enviada ao Congresso pelo governo do presidente Lula, uma das prioridades da nossa agenda legislativa."

Na CCJ, a matéria teve relatoria do deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE), mas ainda não há sinalizações de quem será o relator do texto no âmbito da comissão especial. De acordo com relatos, já chegou ao Palácio do Planalto a informação de que parlamentares bolsonaristas pressionam Motta para ocupar essa posição. Já um integrante do governo diz que o Executivo trabalha para a escolha de um nome que tenha perfil moderado para o posto.

À Folha Mendonça Filho diz que "não há trava política" que impeça o andamento da proposta na Câmara e defende a instalação da comissão para "aproveitar o momento e mostrar a sintonia da Casa com o desejo da sociedade com a agenda da segurança pública".

Líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ) diz que a PEC ganha agora novo fôlego para avançar no Congresso. Ele defende que o colegiado seja instalado "o mais rápido possível".

 

 

Caso aprovada na comissão especial, a matéria segue para o plenário da Câmara. São necessários 308 votos (de 513) para a sua aprovação, em dois turnos de votação.

 
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