PROMESSA MENTIROSA -Brasileira que virou escrava sexual no Japão diz que tinha a vagina queimada com cigarro
11/01/2019 09:28 em NOTÍCIA

CAFETÕES ENGANAVAM MULHERES COM PROMESSA DE SER MODELO OU DANÇARINAS INTERNACIONAIS 

Elas foram colocadas lado a lado. Eram várias e estavam todas nuas. Entre uma e outra havia certa distância, para que pudessem cumprir uma ordem: a de esticar os braços e abrir as pernas para os lados De repente, caiu algo da vagina de uma delas. Era uma camisinha com dinheiro em seu interior."Quando viram o que era, eles queimaram os genitais da minha amiga com um cigarro."

Quem conta é Marcela Loaiza, jovem que, assim como outras mulheres latino-americanas - inclusive brasileiras -, foi sexualmente explorada no Japão por uma rede de criminosos que engana as jovens prometendo a elas carreiras bem-sucedidas como modelos ou bailarinas no país asiático.

"No dia seguinte, como se nada tivesse acontecido, forçaram ela a seguir trabalhando. Ela tinha uma cota a cumprir", prossegue Marcela. "E ali começou uma lei: 'aquela que descobrirmos que esconde dinheiro terá seus genitais queimados'. Eu não passei por isso, mas assisti. Nunca me atrevi (a esconder dinheiro) porque tinha muito medo."

Nem ela nem suas colegas recebiam dinheiro diretamente dos clientes.

"Eles sempre pagavam no hotel ou no local onde nos levavam, mas às vezes nos davam gorjetas e até isso (os cafetões) tiravam de nós."

Mulher sentada

Mulheres eram atraídas com promessas de carreiras bem-sucedidas como 'modelo' ou 'bailarina', mas forçadas a se prostituir para 'pagar dívidas' (Foto: iStock)

Como começou o 'inferno'

Como Marcela foi parar ali? Tudo começou em uma casa noturna em Pereira, na Colômbia. Um homem se aproximou dela, mas não para convidá-la para dançar ou para sair. Ele apenas se apresentou, entregou a ela seu cartão e disse que ela tinha um enorme potencial para se dar bem como bailarina no exterior.

Na casa noturna, Marcela dava aulas de dança e animava festas, como complemento de renda a seu trabalho como caixa em uma loja.

A princípio, a jovem de 21 anos não deu muita atenção à proposta. Mas, quando sua filha de quatro anos adoeceu e teve de ser hospitalizada, ela precisou parar de trabalhar para cuidar da menina. Resolveu ligar para Pipo, como se apresentara o "agente".

Mulheres dançando

Marcela estava dando aulas de dança em uma casa noturna colombiana quando foi convidada por um homem para ter uma carreira internacional como bailarina. Foto: iStock

Pipo se mostrou muito compreensivo e ofereceu dinheiro para Marcela pagar os gastos hospitalares da filha. Futuramente, disse ele, Marcela poderia reembolsá-lo com "o dinheirão" que ganharia dançando no país onde "seguramente ela seria contratada".

Mãe, solteira e de origens humildes, Marcela aceitou. Quando a filha se recuperou e pode ficar com a avó, Marcela decidiu ir. Mas não contou a ninguém, a pedido de Pipo.

"Só disse à minha mãe que iria a Bogotá buscar trabalho para pagar dívidas", conta.

Nova identidade

Marcela estava emocionada porque seria a primeira vez que viajaria de avião.

Eu me sentia a diva de Hollywood que ia mudar de vida", conta.

Pipo só contou a que país ela iria quando a deixou no aeroporto. "Pouco antes de subir no avião, ao me entregar a passagem, ele falou que eu iria ao Japão."

  1. O agente entregou a ela também um pouco de dinheiro vivo e um passaporte falso, para "facilitar" sua entrada no novo país.

Foi assim que Marcela viajou como Margaretta Troff.

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